Laços pela Escrita

Inspirado no projeto desenvolvido pela Revista Pessoa (chamado “Cartas de um outro tempo”), convidamos alunas e alunas do ensino médio/técnico, bolsistas, ex-alunas e ex-alunos do Colégio Técnico de Floriano para escreverem cartas (virtuais) aos amigos, amigas, docentes, colaboradoras e colaboradores do Laboratório de Leitura e Produção Textual (LPT/CNPq).

Cada estudante que participa do projeto recebeu uma breve descrição da destinatária ou do destinatário para escrever a carta.

As cartas são publicadas diariamente da seguinte forma: primeiro, compartilhamos a carta escrita pelas/os estudantes, ex-alunos/as e bolsistas e no dia seguinte, a resposta.

OBS.: algumas cartas estão disponíveis no formato de imagem ou pdf. Para visualizar, clique no tópico (que está em azul ou verde).

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Carta a Lucas Monteiro (por Lucas Mariano – professor de Língua Portuguesa, apaixonado por fanfics e jogos eletrônicos)

Ei, Lucas! Como vai?

Olha, primeiramente, quero dizer que fiquei imensamente feliz emocionado ao ler as palavras que você me escreveu. Neste período de isolamento estou longe da minha família, pois moro na capital e eles no interior. Dessa maneira, gestos de carinho têm tido uma importância enorme em minha vida. Isso tem tudo a ver com o que você disse, lembra? Sobre os momentos difíceis nos “ensinarem a reencontrar algo perdido”. Acho que fui de encontro a algo que realmente havia se perdido durante os últimos anos.

Também quero desejar muita força a você. Achei a coisa mais linda a preocupação constante que você tem com os seus avós. Família é tudo. Tenho uma tatuagem assim não é à toa! Então, desejo saúde aos seus avós e muita união para toda sua família!

Você disse que Ribas e eu somos parecidos, acho que temos muitas coisas em comum sim! Eu o admiro muito e sou fã das coisas que ele cria e desenvolve no LPT. Nos conhecemos em 2017 aqui em Minas e desde então acompanho tudo que ele faz no laboratório.

Achei muito bacana a ideia da hortinha, qual graduação você está cursando? Eu não tenho muita afinidade com essas questões de cultivar alimentos e lidar com a terra, gostaria de aprender mais a respeito. Moro em apartamento, não faço ideia de como criar uma hortinha aqui. Tenho duas plantinhas apenas, são suculentas, carinhosamente chamadas de Chikoritas (adoro Pokémon).

 

Foto 1: As Chikoritas; Foto 2: Valentina ao fundo e Amora no primeiro plano; Foto 3Viagem para Arraial d’Ajuda – BA.

Assim como você, também tenho lido muito, mas poucos livros teóricos. Estou aproveitando este período para me dedicar aos livros que não li pela desculpa de “falta de tempo”. Além do trabalho, tenho feito exercícios em casa e passado mais tempo com minhas cachorrinhas.

Ah! Sobre os videogames, eu gosto bastante de portáteis, adquiri um PSP recentemente, talvez você conheça, é um portátil antigo que não é fabricado mais. Rende algumas horas de diversão, inclusive com o PES de anos anteriores.

Você alcançou com louvor o objetivo! Tenho certeza que a corrente ficou ainda mais forte com a nossa participação! Grande abraço de paz e luz!

Cordialmente,

Lucas Mariano (Instagram: @mariano_luc)

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Carta a Lucas Mariano (por Lucas Monteiro – ex-aluno do Colégio Técnico de Floriano e acadêmico de Engenharia Agronômica na UFPI)

Olá Lucas, tudo bem?

Fiquei sabendo que você é professor, muito orgulhoso pela profissão e que curte tecnologias digitais, livros, futebol, dentre outros. Deve parecer muito com o Ribas. A propósito, só achei que fosse possível todo esse histórico após conhecê-lo, pois alguns de nós pensamos que professor não curte tudo isso ou não dá preferência em seu curto tempo. Então gostaria de parabenizá-lo pela excelente profissão e dedicação com empenho à arte de ensinar.

Sobre viajar, é sempre uma das melhores atividades, parece até que nos reinicia, nos enche de sonhos e mais vontades, e melhor ainda se for acompanhando de pessoas queridas, ou a si próprio em algumas ocasiões. Espero que tudo isso passe logo para que você e todos possam continuar a conhecer novos horizontes.

Gostaria primeiramente de desejar boas energias, renovações de forças e esperança. Creio que assim como por aqui, não está sendo nada fácil. Mas de certa forma, momentos difíceis como estes, nos tornam ainda mais fortes, nos ensinam a reencontrar algo perdido. Assim tem sido por aqui, tenho passado muito tempo com minha família, os laços estão mais firmes e cada um tem aprendido com o outro muitas experiências.

Tenho administrado melhor meu tempo, passei a preferir o dia a que a noite, e acredite, essa já é uma das grandes conquistas, daquelas que transformam. Então minha rotina mudou completamente em relação à correria universitária de antes.

Soube também que você gosta de buscar novas atividades, tendo como requisito, lhe fazer bem, portanto gostaria de compartilhar alguma das minhas atividades que mais tem me feito bem, principalmente por matar um pouco da saudade dos campos e atividades agrícolas, que seria construir uma pequena horta. Inclusive tem sido uma das atividades que mais tem ajudado pessoas em meio a pandemia. Por aqui logo meus pais interessaram pela prática e viram a mudança que aquele pequeno momento durante algum tempo do dia proporcionou. Também estamos preparando mudas de algumas frutíferas para presentear parentes, uma prática simples, mas de muito valor para nós.

Quem mais tem sofrido em meio a pandemia são meus avós, e fico inquieto, tentando buscar algo que melhore a rotina deles. Então na medida do possível já me insiro em alguma atividade do dia deles e tento ajudar e tornar a prática mais divertida aproveitando para facilitar. ajudo meu avô, repasso muitos aprendizados e mais aprendo com ele também, e faço alguns serviços sempre que possível. Ele tem muitas frutíferas e não tem muito tempo para acompanhar como deveria, até porque a prioridade dele é a criação e venda de peixes, mas acredite, acorda antes das 5h todos os dias para aguar todas elas e observar algumas necessidades.

Tenho também aproveitado estes muitos dias para fazer cursos, ler livros, principalmente técnicos, da área de atuação. Mas me sobra tempo para jogar um bom PES e assistir aos jogos do Mengão que é uma grande paixão da família, inclusive foi o jogo sujo que aprontaram para que eu aceitasse uma pequena festa de aniversário. E juntos fizemos também uma pequena brincadeira de São João. Todos estes momentos especiais, com grande valor.

Foto 1: Meu aniversário – Família; Foto 2: São João em Família; Foto 3: Construção de pequena horta – primeiro canteiro; Foto 4: Mudas; Foto 5: Semeadura

Bom, espero que tenha alcançando o objetivo. Gostaria de poder compartilhar outras coisas, mas em outra oportunidade creio que esta poderá ser realizada, entretanto, fico feliz de poder participar, desafiar, ser desafiado, e contribuir um pouco com esta corrente. Abraços e aguardo ansiosamente o retorno.  Juntos venceremos.

Laços Pela Escrita.

Atenciosamente,

Lucas Monteiro (Instagram: @lucas.pmonteiro)

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Carta a Erik Soares (por Luciane Lira – professora e pesquisadora do IFB/Campus São Sebastião)

Goiânia – GO, 07 de julho de 2020.

Querido Erik,

Fiquei muito feliz por ter recebido sua carta!

Espero que você esteja bem e em segurança com sua família, neste período tão delicado que estamos vivendo. Quem diria que manter o afastamento físico de nossos entes queridos seria uma forma de amor, não é mesmo?

Então sua mãe é minha colega de profissão? Que bacana. Realmente ser professora não é fácil. Lidar com as pessoas é sempre desafiador, mas também é gratificante na maior parte do tempo. O meu trabalho me permite conhecer muita gente bacana e aprender com elas. Além disso, é um ofício carregado de esperança. Fico grata por sua admiração. E você? Já consegue vislumbrar alguma profissão para o futuro?

Sim, eu gosto muito de séries e de livros. Eles têm sido meu escape nesses dias de pandemia, uma forma de trazer mais leveza para esses dias tão carregados. E confesso que gosto bastante de séries adolescentes. A minha preferida é “Stranger Things”. Você gosta? Agradeço sua indicação. Já conheço a polêmica série “13 Reasons Why”, assisti à primeira temporada, mas achei bastante perturbadora. Acabei não seguindo as temporadas seguintes, mas entendo que é uma série de muito sucesso. É muito boa a sensação de finalizar uma série. Apesar do pequeno luto que sofremos com a despedida, não é mesmo?

Também gostaria de fazer uma indicação de uma série adolescente: “Eu nunca”. Conhece? Também é uma série Netflix, só que mais leve. Ela traz a história de Devi, uma adolescente de origem indiana que vive nos Estados Unidos e que está vivendo um luto na família. Gosto da forma sensível como vários dilemas da adolescência são abordados e, sobretudo, da maneira divertida como os estereótipos são colocados em xeque durante os episódios. Espero que também goste.

Foi um prazer conhecer um pouco de você. Meu e-mail é lucianecelira@gmail.com. Espero ter notícias suas no futuro.

Desejo muita saúde e paz para você e sua família.

Abraços,

Luciane

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Carta a Luciane Lira (por Erik Soares – estudante do 2º ano de Informática)

São Domingos – MA, 30 de Junho de 2020.

Querida Luciane Lira,

Tudo bem com você? Espero que sim, mesmo passando por esse momento horrível, e tedioso, espero que esteja tomando todos os cuidados para se prevenir desse víros, que aliás está nos dando muita dor de cabeça, literalmente rsrsrs.

Meu nome é Erik, estudo no Colégio Técnico de Floriano, eu particularmente admiro bastante a sua profissão, que por sinal minha mãe também é professora, admiro não só pelo fato de levar o conhecimento, também, mas pelo fato de saber lidar com pessoas, que é muito difícil, lidar com alunos, país e outro professores, é um desafio enorme.

Fique sabendo que gosta de assistir séries, eu também amo, me faz entra em outro mundo, não sei explicar, enfim, por esse motivo vou lhe indicar 13 Reasons Why, talvez você já tenha visto, mas se não, é uma série Netflix, muito boa, são quatro temporadas ao todo, a sua última temporada saiu nesse mês. A série gira em torno de uma estudante que comete suicídio após uma série de falhas culminantes, provocadas por outros alunos da escola onde ela frequenta, mas antes dela se suicídidar ela grava treze fitas no qual relata os treze motivos pelo qual ela tirou sua vida, a série fala sobre viários tipos de críticas que ainda são presentes na nossa sociedade, principalmente na vida dos adolescentes da escola, parece um pouco deprimente, eu sei, eu me emociono em viários episódios, é muito boa mesmo, espero que goste.

Um grande abraço.

Erik

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Carta a Ivonete Maiara (por Márcia Mendonça – pesquisadora e professora da Unicamp)

Olá Ivonete,

como está? Espero que esteja atravessando esse momento turbulento em segurança e com serenidade. Conheço seu professor, Ribamar, que sempre “apronta” atividades interessantes com vocês. Fiquei feliz pela carta! Mas peço mil desculpas pela demora em responder. Essa foi uma das coisas que a pandemia alterou na minha rotina: o controle do tempo. Passo muitas horas conectada trabalhando e isso termina por nos tomar mais tempo do que gastaríamos em atividades presenciais.

Estamos nos cuidando e cuidando dos outros, quem quer que sejam esses “outros” (parentes, amigos, vizinhos, transeuntes, entregadores, porteiros, trabalhadoras, etc.). Evitamos ir ao comercio, exceto para comprar comida e pedimos o restante para entrega.

Apesar dos aspectos ruins, como o isolamento, a saudade, a limitação no ir e vir, há coisas boas: estou mais perto dos meus filhos, gasto menos com bobagens, cuidei mais da casa para ela se tornar mais ninho e menos hotel.

Espero que esteja bem, se cuidando, inclusive da saúde mental.

Fique e #sepuderfiqueemcasa.

Abraço,

Márcia Mendonça (Instagram: @mendonca6521)

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Carta a Márcia Mendonça (por Ivonete Maiara – estudante do Técnico em Enfermagem)

Oi, Márcia Mendonça!

Meu nome é Ivonete Maiara, estudo no colégio técnico de Floriano da universidade federal do Piauí, faço técnico de enfermagem, terminei o ensino médio em 2017. Então foi um prazer ter passado no teste seletivo da (UFPI), porque o que mais quero é me formar, ser uma excelente profissional para poder dar uma vida melhor pra minha mãe e quero realizar todos os sonhos dela.

Mas quero saber da você, se está bem, o que mudou na sua vida nessa quarentena. Quando a covid-19 passar o que vc gostaria de fazer? Recebi uma informação de que você é professora de língua portuguesa. Olha só, ótima escolha. tenho certeza que está sendo uma excelente e competente profissional. O que te levou a escolher ser professora? Você gosta? Passou por alguma dificuldade durante e antes de se formar? Sei também que vc morava em Pernambuco e foi morar em São Paulo. Você está feliz com essa mudança? Foi difícil de se adaptar?

Sei também que tem dois filhos. Que bacana! parabéns! E que Deus os abençoe.

Vocês estão se cuidando adequadamente nessa quarentena? Adorei escrever para você e quero que Deus continue abençoando você e sua família, fique bem e lembre-se: nunca deixe o pensamento negativo invadir sua mente porque você é forte, acredite, pense positivo que coisas boas acontecerão.

Um beijo e um abraço.

Ivonete Maiara

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Carta a Anna Maria Ribeiro (por Mirna Queiroz – jornalista, fundadora e editora executiva da revista Pessoa)

Lisboa, 1 de julho de 2020

Cara Anna Maria,

Receber a sua carta foi uma surpresa tocante. Enquanto a lia, tentava imaginar como você é, como se movimenta pela vida. Uma distância de quase 7 mil km nos separa, e, de repente, um exercício de escrita, o desejo de alcançar o outro nos põem no mesmo espaço e tempo, cara a cara. Eu, fantasiando o que vejo; você lançando um olhar benevolente sobre mim. Soube bem ler “uma mulher cheia de talento”, na sua descrição, num momento em que me sinto mais incompetente do que nunca. Mas como pensar em eficiência quando tudo parece se desfazer com pressa? Não está fácil encontrar sentido diante dessa bagunça toda, como você bem nomeia o estado atual. Apesar de um certo tipo de fadiga psíquica, vou tocando com suavidade o dia a dia, traçando planos, num processo de desconfinamento, sobretudo, mental. Tenho a sorte de viver em um país cujas autoridades, apesar das dificuldades e dos tropeços, levam a crise sanitária a sério e dignificam os cargos políticos que ocupam. O cenário, portanto, é menos assustador, permite alguma abstração do presente imediato.

Sobre as atividades que desempenho, você acertou: tonam a vida movimentada, mas não exigem tanta ginástica quanto pode parecer, são todas afins. Do jornalismo para a edição é um pulo. Daí, conceber uma programação literária e produzi-la, é outro. Num mercado precário como o nosso, é comum ser multitarefa. O meu eixo principal é a revista Pessoa, que completa 10 anos em julho, meu pequeno milagre. A revista sempre foi feita com muito pouco recurso. Seu grande ativo é a generosidade dos seus colaboradores. A vantagem é que somos totalmente independentes, não devemos nada a ninguém. E não tem nada que se iguale ao prazer de saber que um leitor ficou “maravilhado” com o que publicamos. Esses retornos são recorrentes e são o nosso maior combustível.

Por que mestrado em estudos culturais, você pergunta. Porque essa disciplina me daria e de fato me deu ferramentas críticas para desempenhar o meu papel como agente cultural e pesquisar os movimentos emergentes na produção contemporânea do conhecimento. Há elementos utópicos na origem dos estudos culturais que logo me atraíram quando li, anos atrás, toda a reflexão sobre a ideia de cultura de um dos seus fundadores no Reino Unidos dos anos 50, o Raymond Williams.

Até defender a dissertação, eu levei pouco mais de 2 anos. Como editora de uma revista digital de literatura, senti necessidade de compreender quais as reconfigurações ou pontos de continuidade apresentados pelo livro digital, desde sua produção até a sua chegada ao leitor.

Temos também isso em comum, sou fascinada por cartas. Sempre que tenho oportunidade, abro espaço na revista Pessoa para o gênero epistolar. Graças a uma dessas iniciativas, o projeto “Cartas de outro tempo”, estamos aqui, conversando.

Em uma pesquisa para o Museu da Língua Portuguesa, descobri que houve até 2015-2016 um Museu de Cartas e Manuscritos, em Paris. Entre algo como 130 mil documentos originais, havia desde uma rara partitura de Mozart, até cartas de Napoleão, Voltaire e Manet. Em boa parte desse material, era possível ver sinais, como setas, cortes e rasuras, que revelavam os processos de criação de seus autores. Poderia morar nesse Museu por uma temporada.

Anna, adoraria conhecê-la pessoalmente. Quem sabe numa próxima edição do Festival Pessoa? Gostamos de circular, acreditar que vivemos num mundo sem fronteiras. Poderíamos nos organizar em qualquer lugar do mundo, até mesmo no Piauí. Não seria maravilhoso?

Fique com um abraço afetuoso,

Mirna Queiroz (Instagram: @revistapessoa)

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Carta a Mirna Queiroz (por Anna Maria Ribeiro – estudante do 3º ano de Agropecuária)

Floriano-PI, 22 de junho de 2020.
Olá, Mirna,
Como vai você?

É uma honra poder lhe escrever essa carta, uma mulher cheia de talento. Como é morar em Lisboa? Como está sendo esses tempos de quarentena? Vem sendo fácil de lidar ou está tudo meio confuso e bagunçado? Para mim vem sendo difícil manter a cabeça focada em algo. Espero que você esteja bem em meio a tudo isso, que não esteja assustada nem com medo porque isso vai passar, vamos todos ficar bem.

Agora me conta, como é fazer esse monte de coisa, ser jornalista, editora, curadora e produtora luso-brasileira? Deve ser bem movimentado, muita dedicação e esforço. Quando recebi seu perfil foi atrás da revista da qual você é fundadora e editora executiva, vi o conteúdo que há nela, fiquei maravilhada com tanto conhecimento, várias temáticas e áreas. O festival literário internacional da pessoa é um evento muito interessante, reúne vários escritores famosos de Portugal, Brasil e Estados Unidos para conversarem sobre seus trabalhos. Um dia gostaria de assistir a um festival desse, posso ter certeza que aprenderei muito ouvindo essa conversa. Vi que fez mestrado em Estudos culturais, porque escolheu esse curso? Quanto tempo levou até se torna mestra? Como soube que era isso que queria? Sempre fui indecisa sobre a área que quero seguir. Já mudei tantas vezes que perdi as contas (risos), às vezes isso me incomoda, tão tarde e ainda não sei o que quero.

Acho cartas algo tão simples e singelo, sempre gostei de cartas, sempre escrevi. Mas fico meio triste por ter nascido em um tempo onde os papeis foram trocados por telas de celulares e computadores. É estranho ver que as únicas “cartas” em papel que recebemos hoje em dia são contas (risos), nada com segredos ou apenas relatando seu dia para um amigo. A carta por muito tempo foi o único meio de comunicação, demorava dias para chegar, esperar uma resposta não era algo simples, assim imagino, as cartas foram cumplices de vários amores secretos, foram as que carregavam as boas novas.
Atenciosamente,
Anna.

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Carta a Ana Vitória Mota (por Ana Maria Pereira Lima – amante dos livros e de um saboroso café, professora da UECE)

Olá, Ana Vitória!
Espero que esteja tudo bem com você e com os seus. Bom saber que você me escreveu essa cartinha tão sensível. Sensibilidade anda em falta, ultimamente (infelizmente). Meus filhos e minhas cachorrinhas vão bem. Uma delas está aqui deitada ao meu lado, enquanto te respondo. A inocência da Brigite e da Anita (Só com um t, como diz minha filha) me fazem crer em dias melhores.
Minha hortinha resiste a minha falta de atenção. Então, quando tiver a sua, não deixa que o sol a derreta como faço com a minha. Reduzi o café, porque aumentaram as reuniões (atividades remotas/online cansam…) e aí eu iria ter problemas de saúde, mas não deixo de apreciar um pouquinho de café à tarde, para não deixar aquela molezinha do calor me pegar. O café “acorda” e faz eu me sentir viva. Além deu adorar o cheiro dele assim que está sendo coado.
Como devo ter deixado revelar, gosto das sensações, e isso faz eu gostar dessa história de conversar com alguém tão bonita como você que compartilha comigo de coisas tão singelas. Quanto a ser professora, sim, é uma profissão desafiadora, mas gratificante, porque permite ter colegas como o Ribamar e conhecer pessoas como você. Obrigada pelo reconhecimento.
A pandemia vai passar. Pesquisadores encontrarão a vacina ou remédios. Acredito nisso. Espero que as pessoas tenham bom senso e paciência, mas sei que vamos poder festejar a vida em concretamente em abraços apertados. Enquanto esse momento não chega, agradeço a gentileza expressa na carta. Saúde para todos nós.
Até logo!
Ana Maria Pereira Lima (Instagram: @analima09_; E-mail: ana.lima@uece.br)

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Carta a Ana Maria Pereira Lima (por Ana Vitória Mota – estudante do 3º ano de Agropecuária)

Olá, Ana! Tudo bem? Como estão seus filhos? Espero e desejo que estejam todos bem. Sou aluna do Colégio Técnico de Floriano e amei saber que você gosta bichinhos e flores, eu também adoro e pretendo ter futuramente uma hortinha. Espero que todas minhas plantinhas gostem de mim. Já tomou aquele cafezinho cheiroso hoje? Creio que sim, pois fiquei sabendo que você gosta “muitão” do cheirinho do café.

Quero te parabenizar pela sua linda profissão que é ser professora. É uma profissão nobre e que deveria ser valorizada a todo momento, e não apenas em tempos difíceis como os de hoje na qual muitos estão tendo que ser professores de seus filhos em casa. Nem uma bíblia cheia de agradecimentos é o suficiente para expressar a gratidão que nós alunos temos a vocês pelo lindo trabalho que desempenham com muito amor mesmo passando por muitas dificuldades.

Deve estar morrendo de saudade de ver gente e abraçar, né? Eu também estou com muitas saudades de ir pra escola e passar o dia inteiro assistindo aula, e até mesmo não ter nem tempo para dormir direito com tanta atividade para fazer. Creio que logo logo isso tudo vai passar e nós voltaremos a nossa louca rotina de dedicação aos estudos e trabalhos.

Um beijo em você e nas suas cachorrinhas. Muita paz e equilíbrio!

Atenciosamente,
Ana Vitória Mota

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Carta a Joanna Gabrielly (por Waldo Peixoto – flamenguista roxo, fã dos Beatles e Star Wars, professor e colaborador LPT)

Olá, Joanna!

Está tudo bem sim, graças a Deus. Espero que por aí esteja tudo bem também!

De fato, estamos passando por um contexto atípico em nosso país que, você deve saber, a todo momento nos traz situações loucas e diferentes. Nosso país é único, para o bem ou para o mal. Só que, preste atenção, a gente precisa se manter forte e sãos, entendeu? Não fique triste e não esmoreça, embora a situação seja complicada. Exatamente, sou amante dos bons livros e da boa literatura. Adoro ler contos e crônicas. Também amo poemas e até, às vezes arrisco escrever uns e declamar kkkk. Bem, meus livros preferidos são “Histórias Extraordinárias”, do Edgar Allan Poe; “Livro do Desassossego”, do Bernardo Soares e “Poemas de Álvaro de Campos”, do Álvaro de Campos. Na verdade, há muito mais, porém, passaria a carta toda falando de livros kkk.

E você? Gostas de ler? Vou querer saber quais livros você curte ler, tá bom?
Todo tipo de arte é algo que me alegra e me deixa aficionado então, sim, amo teatro, música, cinema, pinturas, literatura. Toda e qualquer de manifestação artística eu estou aplaudindo. Sou Flamenguista e Motense (time de meu estado) apaixonado por eles e pelo futebol. Viajar é algo que eu, se pudesse, faria cinco, seis vezes por ano. Às vezes falta tempo, muitas vezes falta dinheiro mesmo kkkk.

Minhas viagens mais marcantes foram ir duas vezes ver o show do Paul McCartney (Rio de Janeiro e Fortaleza), conhecer Atins, aqui no Maranhão. Conhecer os Lençóis Maranhenses também á algo único. Fiz duas viagens também ano passado marcantes. Fui para Fortaleza só ver o Flamengo jogar e fui aí, para teu estado, na cidade de Pedro II, conhecer o Festival de Inverno. Há muita coisa para se falar sobre minhas viagens. muitas delas, inesquecíveis.

Você costuma viajar? Também vou querer saber de você!
Eu gosto de ajudar as pessoas, ser lanterna na vida delas, amo ser professor para aprender sempre. Nunca parar. O professor Ribamar é grande inspiração. E você, o que desejar ser? O que gosta de fazer?

Espero que possamos manter contato. Me encontrar nas redes sociais não é algo difícil, espero seu contato por lá, viu?

Grande beijo e fica com Deus! Com muito amor e carinho!

Waldo Peixoto ❤️ (Instagram: @peixotowaldo; E-mail: waldo.peixoto@hotmail.com)

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Carta a Waldo Peixoto (por Joanna Gabrielly – estudante do 1º ano de Agropecuária)

Olá professor Waldo, tudo bem com o senhor?

Espero que sim, até porque estamos passando em um momento muito difícil na nossa vida, mais tudo a de ficar bem, porque Deus pode tudo. Bom soube que o senhor é amante dos livros e da boa leitura, eu também gosto muito dos livros. Quais os seus livros preferidos? Soubes também que é aficionado por cinema, teatro, música é a poesia. É um flamenguista apaixonado, que na sua vida ” só lhe falta uma nega chamada Teresa “. Adora viajar curtir os amigos é a família. Eu também adoro viajar, conhecer pessoas novas. Também quem não gosta de viajar né? Mas quais foram suas viagens mais marcantes? Vive para ser lanterna aos outros, afinal adora ser muito útil é ajudar. mais também aprender, desa-prender, porque é assim a vida. Pois ama ser professor e sobretudo faz isso com muito prazer e exce-lência. viajar é a sua paixão. Bom espero que tudo fique bem logo para que possamos voltar a nossa rotina.
Fica bem é um forte abraço😊

Atenciosamente ❤

Joanna Gabrielly

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Carta a Gildeilson Pereira (por Karla Vidal – apaixonada por fotografia, design gráfica, jornalista e sócia da Pipa Comunicação)

Olá Gildeilson, tudo bom? Como vai você?

Aqui estamos trabalhando toda força que temos para superar esse momento difícil pelo qual estamos passando.

Fiquei muito contente em receber sua cartinha e mais ainda em saber que você participa dos projetos do professor Ribamar. Aqui pra nós, que educador arretado, né? Já pensou que lindo seria se todos os educadores e educadoras do país fossem como ele? É meu sonho ver uma educação cheia de gente legal assim.

Tenho uma coisa pra te contar, toda a minha especialização foi feita a distância, através de experiências de aprendizagem que o Instituto de Artes da Califórnia preparou. Bacana, né? Graças a esses novos horizontes que a tecnologia nos revela eu pude realizar o sonho de estudar com os professores do Instituto que tanto admiro sem precisar sair de casa. O melhor é que você também poderá fazer isso no futuro ou agora mesmo se quiser. Foi uma experiência incrível, difícil porque requer um pouco mais de disciplina e autoconhecimento, porém inesquecível. Depois eu consegui ir aos Estados Unidos e conhecer uma outra grande instituição que admiro, a RISD, Escola de Design de Rhode Island, e foi tão incrível quanto.

Na quarentena ando trabalhando MUITO. Às vezes consigo fazer umas artes manuais que gosto muito. No entanto, a quantidade de projetos chegou perto de triplicar e tem sido bem difícil cumprir as tarefas. Mas, a gente corre e cumpre porque a educação precisa mais do que nunca de cuidado. Sempre bate um medo e uma insegurança, mas a gente segue com medo mesmo. O importante é continuar. Não tenho visto os filmes e seriados que tanto gosto porque tenho ficado muito exausta, mas tenho assistido a muitos profissionais que trabalham com humor e tenho aprendido bastante com eles. Já consigo, inclusive ver pontos de conexão muito interessantes entre o humor e a educação.

Eu realmente amo São João. Nasci em Caruaru, a capital do forró, não tinha como ser diferente. Aliás, se você curte São João eu vou deixar aqui o link de uma playlist de forró que criei pra você ouvir e dançar em casa mesmo: https://bit.ly/vaitersaojoao 

Também espero que possamos nos conhecer pessoalmente e quem sabe criar um bons projetos juntos.

Abraços e muito obrigada pela carta.

Karla Vidal (Instagram: @karlagvidal; E-mail: karlagvidal@gmail.com)

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Carta a Karla Vidal (por Gildeilson Pereira – estudante do 1º ano de Informática)

Oi Karla, tudo beleza?

Sou o Gildeilson, a galera me chama de Gil por meu nome ser um pouco difícil rsrs, sou aluno do 1° ano do ensino médio/informática no ctf, e participo dos projetos do professor Ribamar, ele me falou algumas coisas interessantes sobre você, admiro muito seu trabalho, seu esforço e emprenho no que faz a muito tempo, muito importante o seu trabalho através da educação, comunicação e design, mostrando novos horizontes através da tecnologia, que pouco a pouco vem conquistando cada vez mais o cenário mundial, ví que você fez sua especialização no exterior como foi lá? fico muito feliz em saber seu desejo em formar professores e ser uma idealizadora de projetos na área, sei que estes formados serão verdadeiros profissionais no futuro.

Como vai sua quarentena? O que gosta de fazer? Eu mesmo estou assistindo muitas séries e filmes, sei que está sendo um momento um pouco tenso, porém importante, e que vai passar logo, e se bater uma bad, nunca se esqueça que vc é uma pessoa incrível, e que qualquer pessoa sem ao menos lhe conhecer pessoalmente, tendo um breve resumo sobre você perceberá o quão grande você é, e tem realizados grandes feitos, eu sou o exemplo disso.

Soube que você é de Olinda/PE, e que ama São João, bom, temos isso em comum também gosto muito do festival.

Espero que um dia possa lhe conhecer pessoalmente, um abraço do Gil (Instagram: @gilzinho1)

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Carta a Maria da Conceição (por Luiz Trigo – professor da USP e viajante)

Parte 1

Parte 2

Luiz Trigo (Facebook: Luiz Trigo; Instagram: @trigo.luiz)

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Carta a Luiz Trigo (por Maria da Conceição – estudante do 1º ano de Informática)

Dear Mr. Trigo,

Meu nome é Maria da Conceição, tenho 16 anos e moro em Floriano, no Piauí. Como tem passado essa quarentena? Estou um pouco entediada, mas procuro ocupar-me lendo, assistindo séries e filmes, fazendo vídeochamadas com amigos e até dobraduras de papel. Estou aproveitando meu tempo livre em família também. Houve uma mudança e tanto na minha rotina, mas tenho lidado bem com isso. No momento, estou refletindo bastante sobre o valor que damos as coisas simples, do dia a dia, e acredito que passaremos a valorizá-las mais, atentos a cada detalhe, aproveitando cada momento.

Soube que você já viajou para vários lugares e curte gastronomia. Sobre isso, tenho duas perguntas: 1) Dos países que você já visitou, qual o que mais gostou? 2) Qual comida mais incrível que provou? Eu gostaria de visitar o Canadá e Coreia do Sul e provar pratos tradicionais coreanos. Que outro país você acha que vale apena adicionar a minha lista?

Gostaria de saber como surgiu seu gosto pela escrita e leitura. Eu amo ler, mergulho em meio as palavras e me sinto visitando outro mundo. É realmente inspirador. Como você espera que as pessoas se sintam lendo seus livros?

Foi um prazer escrever uma carta para você. Aguardo sua resposta.

Atenciosamente,

Maria da Conceição (Instagram: mariadaconceicao07)

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Carta a Maria Lizandra (por Júlio Araújo – pai da Blue e da Lucy, pesquisador e professor da UFC)

Fortaleza – CE, 14 de junho de 2020.

CARTA PARA MARIA

Olá, Maria. Espero que não se incomode de que chamá-la por seu primeiro nome. O nome Maria tem um sabor de beleza, um cheiro de vida e vai além de uma única cor. Para mim, Maria é um genuíno arco-íris de encantamentos, pois neste nome coexistem cores divinas que me lembram uma senhora tão poderosa quanto gentil. Me lembra também o poder dessas cores se mesclarem com as simplicidades que se espraiam pelas tantas Marias corajosas do cotidiano. Como diz a canção, Maria é aquela que, quando todos estamos a perder o tino, como nesses dias pandêmicos e fascistas, ela “possui a estranha mania de ter fé na vida”.

Foi assim que as tuas palavras ressoaram dentro de mim, Maria: como um arco-íris. E eu li tua cartinha muitas vezes, de modo que as tuas múltiplas saudações se atualizaram naturalmente, pois eu te li de manhã, de tarde, de noite e até de madrugada. E sempre que eu (re)lia você, a paleta de cores de sua escrita me tirava de um cinza que essa pandemia, algumas vezes, me traz(ia).

Demorei responder você, Maria. Peço perdão por te fazer esperar tanto. Não foi por falta de interesse e tampouco por falta de consideração a você. Por aqui, tem sido dias tensos e cheios de inúmeras tarefas profissionais. Elas são tantas que não apenas se entrelaçam, mas se (me) atropelam. Contudo, ao me levantar hoje de manhã, domingo, 14 de junho de 2020, eu disse a mim mesmo: “hoje, subirei na palavra e deixarei que ela me leve até Maria”. E então, cá estou eu nessa ponte mágica, que é a palavra. Vim te abraçar e olhar para você, vim me colorir em teu arco-íris.

[…]

Para continuar lendo a carta, clique aqui.

Júlio Araújo (Instagram: @araujo_jc; E-mail: araujo@ufc.br)

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Carta a Júlio Araújo (por Maria Lizandra – poeta, acadêmica de Pedagogia e bolsista do projeto LPT Acadêmico)

Carta para alguém que não conheço cujo o nome é Júlio Araújo (será o começo de uma grande aventura comunicativa que poderá promover uma conexão de sentimentos entre duas pessoas que não se conhecem? OBS: Fiz uma expressão facial digna para esses momentos de perguntas, ou seja, a mão no queixo e o olhar questionador).

Não sei o horário que receberá e irá se deleitar na leitura dessa profunda carta, então: Bom dia, boa tarde, boa noite ou boa madrugada, Júlio Araújo!

Espero que esteja bem e mantenha-se filtrando as energias positivas se é que seja possível no atual contexto que estamos vivenciando.

Estou aqui digitando no Word e pensando nas diversas vezes que escrevi cartas para minhas paixões imaginárias e para uma pessoa que gostaria de encontrar depois de 30 anos (essa pessoa sou eu). Gostava de enfeitar o papel com vários desenhos: rosas, folhas, céus estrelados, pássaros, pedras, corações e livros. Fazia um envelope, e em seguida, dobrava o papel escrito com palavras confusas e repletas de sonhos – cheias de imaginações que, na grande maioria das vezes, não se encaixa com nada da realidade – e depositava no espaço quadrado os efeitos do imaginar. Ficava sempre com um sorriso nervoso na esperança que tais ditos voassem de encontro com os desejos e obtivessem as respostas, e, assim, permitisse vivenciar, pelo menos uma vez, o que minha alma almejava: liberdade. Nossa! Lembrei das cartas que mãe fazia para suas irmãs. Eu, minhas irmãs e meu irmão tinham que tirar um retrato (sim, vou fazer jus ao momento histórico). Para tanto, chamava uma pessoa que tinha câmera fotográfica para registrar o momento que depois de algumas semanas as fotos eram reveladas e entregues. Assim, ela colocava uma no envelope junto com a carta, outra ficava no álbum de fotos e as outras ela espalhava para seus parentes.

Nesse efeito e momento de lembranças, quero saber: Júlio, já escreveu cartas de forma analógica? Se sim, quais eram seus sentimentos ao escrever? Quais momentos mais emblemáticos que sua mente não conseguiu esquecer (cite pelo menos um)? Já se arrependeu por ter escrito alguma carta? Já dormiu com alguma carta como se tentasse não perder nenhum sentimento? Chorou alguma vez? Pensou em sair correndo de felicidade ou tristeza como se quisesse se molhar numa chuva e ali permanecer? E, não menos importante, guarda alguma carta?

Nossa! Perdi-me nas recordações emotivas que acabei desconectando os fatos. Querido Júlio – quando a gente escreve para um desconhecido tem altas chaves de no processo da escrita se achar intima da outra pessoa. Quem falou isso? A criatura que vos escreve -, na cidade onde moro tem um clima diferenciado: pela manhã, já cedinho, o sol de 37º grau da seu bom dia com animação e permanece nessa energia contagiante até, mais ou menos, às 17h30; durante a noite vem um friozinho suave que aumenta na madrugada. Quando é tempo de chuva um sentimento de saudade invade o coração e, ao mesmo tempo, trás à tona a criança interior ao fechar os olhos e relembrar das diversas vez que banhei na chuva e fiquei me divertido. Fico na cama por horas curtindo preguiça e ouvindo as gotas de água caindo. Essa sensação fica tentando se igualar com o pôr do sol. Amo contemplar e faço isso sempre quando estou triste, ou seja, quase todos os dias. Como disse o príncipe, no livro O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry: “Quando a gente está triste demais, gosta do pôr-do-sol”. Você concorda? Como é sua relação com os eventos da natureza? Gosta da chuva e do pôr do sol?

Pensando e refletindo nessas situações e emoções ao articular com quem é você, querido Júlio, consigo compreender bastante coisas e, ao mesmo tempo, não. Você é um poeta, faz ioga, professor, trabalha com tecnologias digitais e escrita acadêmica. É! Preciso ir mais adiante em busca de detalhes sobre esses entornos que lhe envolve. Nesse momento você deve está muito confuso e se perguntando: Como é que uma pessoa que diz não me conhecer sabe dessas informações sobre mim? Quero deixar claro que não sou nenhuma agente da CIA infiltrada que está pesquisando sua vida. Mas (uma dose de suspense promove o desvelar das coisas. Nossa! Que filosófico), pode ser que um ser chamado Ribamar Júnior tenha me passado essas informações, e, também, sigo você em alguma rede social, por exemplo, o instagram. Mas isso é só provavelmente. Não estou confirmando nada. Então, por que da poesia? Há alguma relação com as dores do mundo? Por que escrever poesia? E a ioga? Quando e por que começou a fazer? Faz ioga para se conectar e manter o equilíbrio com seu interior ao filtrar as energias boas? Como começou sua trajetória como professor? Era seu sonho ser educador? Senti que pode promover pensamentos de transformação por meio da educação para com as/os alunas/os? Por que trabalhar com tecnologias digitais e escrita acadêmica? Há alguma interligação entre elas? Existe alguma conexão com a poesia, ioga, ser professor e trabalhar com tecnologias digitais e escrita acadêmica?

Creio que esteja fazendo perguntas demais, mas quando não se conhecer o outro se faz necessário dialogar com questionamentos para, dessa forma, quem sabe, estabelecer um desfechar surpreendente – as/os filosofas/os perdem é feio com minhas frases de impacto. Com todo essa conversa, esqueci de me apresentar. Desculpas pelo equívoco! Vamos lá. Sou uma poeta que usa a poesia, leitura e a escrita como cura. Sou muito romântica e repleta de clichês. Amo música ao ponto de fazer a maioria das coisas ouvindo, por exemplo, nesse exato momento estou ouvindo Your Song, de Elton John. Gosto de fazer corrida, mas parei por conta da pandemia. Algumas pessoas dizem que sou ligada aos 360 volts por segundo. Gosto de assistir filmes de romance e meu coração não suporta filmes de terror. Amo andar de bicicleta, porém faz dois anos que não ando mais porque o capitalismo ainda não anda de mãos dadas comigo para, assim, conseguir comprar uma. Sou cheia de emoções e sentimentos. Amo conversar. Sou graduanda e várias outras situações que compõe minha existência. E, não menos importante, sou Maria Lizandra.

Assim, querido Júlio, como você pode perceber poderia passar o dia todo escrevendo, mas, necessitamos entender o momento de parar. A escrita pode ser tanto quando uma esfera de lucidez e de enrolação. Desse modo, espero com entusiasmo sua resposta para essa carta meio que estranha de uma pessoa que você não conhece. Digo também que foi divertido e emocionante lhe escrever. O afeto aqui compartilhado por meio de palavras e mais palavras formaram uma corrente de novas possibilidades sobre a história de duas pessoas. Quando chegar a minha velhice irei recordar desse momento e dizer: escrevi uma carta confusa para alguém que nunca vi na vida.  Quem sabe, querido Júlio, se o destino já não tinha traçado esse encontro virtual promovido pelas ideias sensacionais de um certo amigo nosso. É! Ficamos com essa reflexão.

Com carinho,

De uma pessoa que você não conhece cujo o nome é Maria Lizandra (Instagram: @maria_lizandra26)

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Carta a Thayllon Carvalho (por Renata Amaral – professora e mãe do Juninho e da Alice)

Betim/MG, 6 de junho de 2020

Thayllon, querido!

Fiquei emocionada ao receber sua carta, que chegou em ótima hora. Como você, estou sentido muito falta da vida em sala de aula. Eu leciono no Centro Pedagógico da Universidade Federal de Minas Gerais. Lá, atuo na educação básica, na educação de jovens e adultos e na especialização em Residência Docente, mas, com a suspensão das aulas, como medida para conter a velocidade de propagação do vírus e de infecção das pessoas, desde 19/03, estou longe dos meus alunos e alunas, que são um sopro de vida para mim. Por isso, seu contato foi ainda mais significativo!

Estamos todos bem por aqui, embora paire no ar a estranheza com este momento, não é? Eu gosto da rua, da escola, dos espaços de cultura, arte e lazer; gosto de gente e de prosa, com um bom café e um pão de queijo (sou mineirinha raiz!). Por isso, não está sendo fácil este isolamento, mas, sigo à risca, pois sei de sua importância para todos nós. Meu fôlego vem dos meus filhotes, Alice e Juninho.

Eles compreendem a situação e contribuem como podem. Alice cursa o 3º ano do ensino fundamental. Ela está tendo aulas remotas síncronas e assíncronas. Então, durante toda a manhã e parte da tarde, ela fica estudando. Juninho também já frequenta a escola. Entretanto, como tem apenas 4 aninhos, está no 1º período da educação infantil. Diante disso, tomei a decisão de deixá-lo de férias, com algumas intervenções de mãe-professora minhas mesmo. Nas muitas horas vagas do dia, procuramos nos divertir, viajando por meio de um bom livro ou inventando brincadeiras. Tudo dentro de casa!

Thayllon, estou longe de ser “uma pessoa muito importante para a educação”, mas posso assegurar a você que sou uma pessoa inquieta, inventadeira e apaixonada pela minha profissão. Por isso, procuro fazer o melhor que posso para contribuir com a educação em nosso tão sofrido país.

Uma das minhas formas de contribuir, a meu ver, é procurar formar nossos estudantes não somente para o trabalho, como historicamente ocorre, por diversos motivos. Procuro oportunizar aos meus alunos e alunas uma formação para e pela cultura, arte e lazer. Na educação de jovens e adultos esta vertente é muito enfatizada, tanto que desenvolvo um projeto de extensão intitulado “Voos: ação e revolução cultural na EJA-CP-UFMG”. Temos até uma página no Facebook, na qual registramos todas as vivências no âmbito deste projeto. Se tiver oportunidade, dê uma espiada na nossa página: encurtador.com.br/imAFO.

Aprecio muito o trabalho da Frida, em especial, os autorretratos, como você. De modo mais amplo, fico fascinada pelas diversas representações da figura humana por meio das artes. Estudo narrativas e vejo nessas representações uma forma de relato muito especial. Em 2017, o Centro Cultural Branco do Brasil de Belo Horizonte recebeu a exposição “Entre nós – A figura humana no acervo do Masp”. Então, no âmbito da educação de jovens e adultos e do projeto Voos, eu e a equipe de professores em formação da época desenvolvemos um bonito trabalho com os educandos e educandas da EJA, com base nessa mostra. A culminância foi uma exposição das produções artísticas dos estudantes, no Espaço Arte-educação da Faculdade de Educação da UFMG. Estes são alguns dos autorretratos, mas, se quiser, você pode ver todos, neste link  https://www.facebook.com/114061060312215/media_set/?set=a.115624846822503.

Cláudia

Teresa

Adelso

Geraldo

Contemporaneamente, o artista de rua britânico Banksy tem me chamado a atenção, pois sua arte me representa bastante. Por outro lado, Chabouté, um quadrinista francês, me encantou com sua obra “Solitário”, tanto que tenho lido outras dele. Então, para que você possa ler estes livros sem sair de casa, vou lhe enviar ambos, em formato e-book, está bem? Fico na expectativa de que estas obras lhe toquem a alma, como tocaram a minha, mas, vale não gostar também, claro!

HQ – Solitário

Guerra e Spray, de Banksy

Thayllon, desejo que você e sua família estejam e continuem bem. Adoraria me encontrar com você para prosearmos sobre as letras e as artes. Será um grande prazer receber você nas nossas Minas Gerais. Te agradeço imensamente pelo seu carinho e pela sua mensagem tão linda, neste momento tão difícil pelo qual estamos passando.

Um grande e carinhoso abraço para você e para o Ribamar, que me proporcionaram esta grande emoção!

Com carinho,

Renata Amaral (Facebook: Renata Amaral; E-mail: reamaral.teixeira@gmail.com)

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Carta a Renata Amaral (por Thayllon Carvalho – estudante do 1º ano de Agropecuária)

Querida Renata,

Espero que esteja tudo bem com você. Me chamo Thayllon, sou estudante do 1° ano de agropecuária, e escrevo essa carta em homenagem a você. Como vai a Alice e o Juninho? Estão se divertindo muito na quarentena? E sobre você? Como está sendo sua rotina? Está dando aula online? Sei como é difícil se manter afastada da sala de aula, eu inclusive, estou achando muito ruim, mas temos que seguir todas as recomendações para que tudo volte ao normal. Achei encantador escrever uma carta dedicada a você, que é uma pessoa muito importante para a educação, algo que admiro bastante. Gostaria de conhecer as riquezas e culturas de sua terra, e provar o famoso pão de queijo de Minas, que é conhecido como um dos melhores do Brasil.

Estava observando que é uma amante das artes, acho esplêndido essa admiração. Além disso, gostaria de lhe indicar as obras de Frida Kahlo, acho ela muito importante como pintora, e o mais magnífico são seus autorretratos. Gostaria tbm, que a senhora me indicasse alguma de suas obras favoritas, para que eu possa apreciá-la durante essa quarentena. Um grande abraço, e lembre-se, #tudovaificarbem.

Com carinho,

Thayllon (Instagram: @thaylloncar)

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Carta a Maria Eduarda Lopes (por Solange de Carvalho – professora, bombeira e, nas horas vagas, fotógrafa)

Brazlândia-DF, 07 de junho de 2020.

Querida Maria Eduarda,

Venho por meio desta dizer o quanto fiquei emocionada ao ler a sua carta ontem. Que maravilha saber que há pessoas que gostam de fotografia, de natureza! É sempre muito revigorante, porque muitos, infelizmente, não conseguem apreciar as dádivas que a natureza nos oferece gratuitamente, não é? Vejo na fotografia um misto também de poesia. Quero me dedicar a isso futuramente, quem sabe a gente não faz uma parceria?

Ainda não fiz nenhum curso de fotografia e nem a minha máquina é profissional, mas acho que tenho tido sorte para registrar o que vejo, porque muitas pessoas têm gostado bastante delas. Confesso que assisti a muitas aulas sobre fotografia no YouTube. Tem um universo todo lá. Como vi que você gosta de aprender, já deve ter pesquisado também nessa plataforma, não é mesmo?

Gosto de tudo na natureza, mas o nascer e o por do sol me fascinam. Hoje mesmo tirei uma foto pensando em você. Ela segue em anexo e é sua. Mando também um outra que é muito especial para mim. Depois me fale se você gostou.

Realmente não está sendo nada fácil viver em meio a esta pandemia. A incerteza e a ansiedade têm me roubado o sono. E sem perceber, comecei a fazer planos para “depois da pandemia”, não sei se está acontecendo com você também. Só sei que já tenho um monte de coisas para fazer “depois”. Mas hoje, ainda em meio a tudo isso, tenho simplesmente vivido: ligado para as pessoas de quem eu gosto, ouvido mais os outros e cuidado dos meus cães.

Um abraço bem carinhoso em você e em toda a sua família.

Solange de Carvalho (Facebook: Solange Sol; E-mail: solangelustosa@gmail.com)

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Carta a Solange de Carvalho (por Maria Eduarda Lopes – estudante do 2º ano de Agropecuária)

Floriano-PI, 06 de junho de 2020.

Querida Solange,

Venho por meio desta carta para dizer o quanto te admiro e o quanto você é esplêndida. Fiquei sabendo que você já trabalhou como bombeira, uma profissão que tem todo o meu respeito, pois além de vocês (pessoas que fazem parte do corpo de bombeiros) se arriscarem em situações perigosas para salvar vidas, vocês tem um bom trabalho voltado para educação que poucos sabem, ou até sabem, mas não tomam os devidos cuidados. Admiro você como professora, imagino que não deve estar sendo fácil dar aulas durante a quarentena, mas com esforço, é possível. Sei que você gosta de fotografar, e sinceramente, eu também. É uma das coisas que mais gosto de fazer, só que no momento, uso a câmera do celular, futuramente penso em fazer um curso relacionado a fotografia. Gosto de tirar fotos de paisagens, isso me encanta, gosto muito do contato com a natureza, é incrível o que ela oferece a nós, acho tudo muito lindo e interessante. E aí, como está sendo sua quarentena? espero que esteja tudo bem! Caso você queira saber, por enquanto aqui tá tudo bem, estamos tomando os devidos cuidados, tá sendo um pouco tediante, mas sempre estou procurando algo pra fazer, e com ead é impossível não fazer nada kkkkk.

Será que infelizmente foi necessário um vírus para nos permitir nos conhecer um pouco mais? momentos difíceis vem para nos ensinar. Espero imensamente que tudo que está acontecendo faça com que a humanidade reflita profundamente no valor da vida, juntos somos fortes e se espalharmos amor e compaixão vamos conseguir enfrentar qualquer situação e logo isso irá passar.

Um grande abraço!

Atenciosamente,

Maria Eduarda Lopes (Instagram: @m_lopes01)

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Carta a Ana Beatriz Freire (por Marcos Marcionilo – editor da Parábola Editorial e colaborador LPT)

São Paulo, 26 de maio de 2020

Olá, Ana,

Como vai você?

Durante séculos, muitos, as cartas foram o meio de comunicação mais íntimo imaginável. Por isso é tão bom receber uma carta sua. Depois que perderam importância e circulação, sendo substituídas por mensagens instantâneas, chamadas em vídeo e chats virtuais, as cartas se tornaram raros e, ao mesmo tempo, delicados eventos. Muito obrigado por ter me escrito.

Sou pernambucano, nascido em uma pequena e desconhecida vila da Mata Norte pernambucana chamada Upatininga, acima de Recife, já pertinho da Paraíba. E você tem razão. Quando penso em praia, penso nas nossas praias nordestinas. Um dos meus sonhos pós-pandemia é ir passar uma semana em Pitimbu, PB, uma praia no limite de Pernambuco com a Paraíba pela qual sou apaixonado. Tão logo possa tomar um voo, eu vou é xaxando! Até já convidei o Ribas, excelente companheiro de caminhadas à beira do mar, para esse tempo de mar e sol.

Outro plano meu é poder ir ao evento mais importante do meu ano todo. Sabe qual? Ir a Floriano fazer minhas oficinas com as meninas e meninos do CTF. Aprendo muito com vocês. Alimenta minha esperança ver como vocês avançam, como crescem “em graça e sabedoria” a cada ano que passa. Sua carta é prova disso. Então, vou torcer para algum tipo de normalidade se restabelecer, normalidade que me permita encontrar você e todo o CTF para uma zueira ainda maior do que as que temos feito até hoje. E quando eu souber que posso ir, vou logo correr no oculista, fazer exame de vista, encomendar óculos novos porque, você notou bem, quem é muito míope como eu é fissurado em novidades ópticas.

Um beijo muito grande!

Marcos Marcionilo (Instagram: @marcosmarcioniloE-mail: editor@parabolaeditorial.com.br)

#fiqueemcasa #vidaantesdolucro

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Carta a Marcos Marcionilo (por Ana Freire – estudante do 2º ano de Informática)

Floriano, 22 de maio de 2020

Olá Marcos,

Eu sou a Ana, estudo no CTF e tive o enorme prazer de te conhecer ano passado nas Oficinas LPT. É uma honra escrever uma carta para você, desde as oficinas venho acompanhando você pelo Insta.

Fiquei sabendo que você é pernambucano, você é de que cidade? Sempre tive vontade de conhecer todos os estados do Nordeste, até porque as melhores praias são aqui (risos).

Eu me lembro bem da sua oficina, nunca vi alguém tão educado, todas as suas dicas e o desafio de fazer um vídeo sobre cantadas em uma tarde, sorri horrores naquela tarde e passei nervoso também, muito. Seu trabalho foi perfeito, estava super ansiosa para te encontrar esse ano novamente, infelizmente as condições não estão boas, enfim.

Inclusive, finalmente aprendi a falar Marcionilo, nunca saia certo quando eu falava rsrsr. Espero muito que quando tudo isso passar nós possamos nos encontrar nas oficinas novamente, seu trabalho é incrível e seu óculos é muito legal rsrs.

Espero que esteja bem, um grande abraço.

Ana Freire (Instagram: @ana_freire15)

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Carta a Amanda Guedes (por Erika Guimarães – professora de Língua Portuguesa)

Mossoró/RN, 31 de maio de 2020.

Querida Amanda Guedes,

Com muita honra e alegria venho te responder. Informo que estou bem, tomando todos os cuidados para me proteger na quarentena. Retribuo os votos de estima e espero que você também esteja se protegendo, para que aos poucos, possamos superar tudo isso. Por hora estou somente no Rio Grande do Norte, pois devido às medidas de distanciamento social, não tenho ido à Recife treinar o sotaque que você tanto gosta (risos).

Sobre a minha trajetória como professora, é uma história de encontros e desencontros, mas eu vou te contar! Eu sempre gostei de ler e escrever, por isso foi fácil escolher o curso de Letras na minha época de vestibular. Simmm, eu fiz vestibular, nunca fiz ENEM (risos). Passei no meu terceiro vestibular no ano de 2000 e me formei em 2004. Dei aulas de língua portuguesa até o ano de 2006, quando comecei a trabalhar numa empresa privada, com assessoria de eventos, e aí começou o período que fiquei distante da sala de aula. Trabalhei nessa empresa até 2013, e enfim decidi retornar à profissão que tanto amo! Desde então tenho me dedicado bastante, procurando sempre melhorar. Foi assim que passei na seleção de mestrado em 2017 e agora sigo estudando para ingressar num doutorado.

 Fico feliz que você tenha retornado ao Colégio Técnico de Floriano/UFPI e não fique triste por ter repetido de ano. As experiências são válidas para o processo de amadurecimento e tenho certeza que vai se esforçar muito mais agora. Eu acho o curso de informática muito interessante, porque desenvolve no aluno habilidades que podem ser utilizadas em diversas áreas. Tenho certeza que muitos desses conhecimentos irão te ajudar na prova do ENEM e também na sua prática profissional. Acredito que você está trilhando o caminho certo, buscando evoluir a cada dia e, com o apoio dos seus pais, desejo que você alcance seus objetivos.

 Eu ainda não tenho filhos, mas pretendo ter uma filha linda, dedicada e PRETA como você. Fiquei radiante ao ler esse detalhe na sua cartinha, pois é muito importante nos orgulharmos de quem somos, como você me disse que faz. Honrar nossa origem, nossos ancestrais, sempre mantendo o respeito ao próximo. Preciso te dizer que a nossa cor, pode trazer alguma dificuldade na sua vida, assim como trouxe na minha, mas não quero que você leia isso com um tom triste. Pense que esse esforço a mais que você vai fazer, para superar o preconceito, vai inspirar outras meninas na busca dos seus sonhos, assim como eu te inspiro agora, escrevendo essas linhas com o coração cheio de lembranças, de várias PRETAS que me inspiraram também.

Adoraria saber mais sobre você. Por que quer fazer Direito? Que música você gosta de ouvir? Qual último livro que leu? Que filme gostou de assistir? Está namorando ou dedicação exclusiva ao curso? (risos)

Agradeço seu carinho e espero que possamos manter contato. Fiquei lisonjeada em receber sua carta e enviei um presentinho para você. Fiz uma boneca Abayomi que significa encontro precioso. Por enquanto te mandei só a foto, mas espero ter a oportunidade de entregá-la pessoalmente.

Enviei também o link de um vídeo que explica o significado de se receber uma boneca dessa.

Um abraço bem apertado!

Erika Guimarães (Instagram: @erika.guimaraes.102; E-mail: erikaguimaraes1981@gmail.com)

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Carta a Erika Guimarães (por Amanda Guedes – estudante do 1º ano de Agropecuária)

Antônio Almeida/PI, 29 de maio de 2020.

Olá Erika, que honra está escrevendo essa carta para você, uma professora de língua portuguesa. e você está bem? tá tomando os devidos cuidados durante essa quarentena? não fique assustada, vai passar. e logo logo vamos poder voltar as nossas rotinas normais, muito interessante você ser de Recife/PE, eu acho massa o sotaque de lá. Você é professora desde de quando? Quando se formou? Por que você quis cursar português? Quando você gostou dessa matéria? eu curso informática pela segunda vez no Colégio Técnico de Floriano/ UFPI, ano passado eu repeiti de ano, mas fiz o Teste Seletivo de novo e passei. Agora eu voltei disposta a aproveitar essa oportunidade novamente. porque uma oportunidade dessas não é sempre que se tem.

Sou de Antônio Almeida/ PI, e moro em (Floriano/PI). Sou preta e sou muita orgulhosa. Você é uma inspiração para todos que querem se formar nessa área, Eu quero me formar em Direito, e vou me me formar com minha garra e força vou conseguir. Eu agradeço muito meus pais por estarem cmg sempre, e sei que eles vão me apoiar em todas as minhas conquistas. E eu sei que com você não foi diferente.

E você Erika, pretende ter filhos? Quantos? Então, eu fiquei muito feliz em poder enviar uma carta para você, e saber que você é uma inspiração. Eu adorei saber um pouco sobre você e sua história.

É bom saber que tem excelentes profissionais como você, para mudar o futuro do nosso país. Você é espetacular, E não se esqueça. #issotudovaipassar💛

Atenciosamente☺

Amanda Guedes

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Carta a Jeniffer Tayná (por Welton Sousa – ex-aluno do CTF, professor de Matemática e policial militar)

Floriano-PI, 29 de maio de 2020.

Boa tarde, Caríssima Jeniffer Tayná!

Primeiramente gostaria de agradecê-la por essa estupenda mensagem que tu me enviastes. Lendo aqui veio um filme em minha cabeça de quando ingressei no CTF em 2011, no mesmo Curso Técnico em Informática que você está cursando atualmente. Realmente o CTF é uma escola de excelência e tenho plena convicção de que tu sairás preparada para passar em qualquer curso superior que quiser, lembre-se: “Você é do tamanho do seu sonho”. Você escreve divinamente bem, também não poderia ser diferente tendo o professor doutor Ribamar como seu mestre. Fico muito feliz em saber que você gosta de estudar, ler livros, pois como diz Nelson Mandela. ” A educação é a arma mais poderosa que temos para mudar o mundo”. Percebi que tu és uma excelente detetive também, descobriu várias coisas sobre mim rsrs. Muito bom saber que você frequenta a igreja e vivencia a palavra de Deus, pois ele é tudo em nossas vidas, nosso salvador e redentor. Continue firme e forte e terás grandes bênçãos em sua vida. Minha quarentena está seguindo um pouco agitada, visto que trabalho em uma área de serviço essencial. Aproveitei o tempo ocioso que a quarentena me proporcionou para concluir uma especialização em Tópicos especiais em Matemática. De vez enquanto ajudo tocando violão na igreja para que as lives saiam bem bacanas. Conheço sua cidade Marcos Parente, lugar pacato, pessoas acolhedoras, inclusive tenho vários amigos lá.

Foi uma honra conhecê-la. Que Deus te abençoe e que você continue sempre firme nos estudos porque o sucesso será a consequência.

Um grande abraço!

Welton Sousa (E-mail: weltonsousa08@gmail.com)

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Carta a Welton Sousa (por Jeniffer Tayná – estudante do 1º ano de Informática)

Marcos Parente, 29 de maio de 2020

Caro Welton Sousa, não sei muito sobre você, mais sei que você foi ex aluno do CTF, uma escola maravilhosa e de grandes oportunidades! Um dos meus sonhos que eu consegui realizar, foi entrar nessa escola e hoje sou novata do primeiro ano, técnica em informática, me esforcei bastante para que isso acontecesse.

Sei que não está sendo fácil nesse momento de pandemia, porque estou com muita saudade dos meus colegas e de todos da escola. Você deve gosta muito de matemática, que até se formou na matéria, bom eu gosto também, acho complicado as vezes, porém eu tive uma professora de matemática que me falou ” que nós mesmo errando devemos sempre continuar” então estou sempre praticando!

Nessa quarentena, as vezes fico no tédio, acho chato ficar em casa, mas procuro coisas para me distrair, o que eu mais faço é estudar, comer que é o que eu faço quase toda hora, leio livros, assisto filme e outra coisas. E a sua quarentena como está sendo?

Espero que esteja tudo bem, só tomar todos os cuidados necessários, até porque você trabalha como policial e exige muito trabalho e cuidado.

Eu sou evangélica e respeito todas as religiões, inclusive a sua que é católico, como está isolamento eu procuro sempre ler livros bíblicos também!

Pelo o que eu sei você gosta de cantar e tocar violão, admiro quem sabe tocar e acho o violão um instrumento interessante!

Além disso você compõe poesias, não é muito minha “praia”, mas conheço algumas de Carlos Drummond e tem uma que eu acho linda “O tempo é vestido de amor e tempo de amar “.

Foi um prazer conhecer sobre você.

Com carinho Jeniffer Tayná! (Instagram: @jeniffer_t_martins)

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Carta a Luiz Felipe (por Romanilta Júlia – professora e faz as melhores geléias do mundo)

Olá, Luiz Felipe!

Bom dia!

Alegria imensa receber sua carta. Toda forma de afeto é um grande presente nesse tempo tão estranho, que por ora vivemos.

Aqui estamos todos bem, na medida do possível, nos cuidando e cuidando uns dos outros. As meninas aos poucos se acostumando à rotina de ficar em casa em tempo integral, mas estão tirando de letra, até descobriram habilidades que pareciam estar adormecidas como a pintura, por exemplo.

Parabéns pelo seu ingresso no curso de Técnico de Informática, é um campo promissor. Aproveite! Mas como disse que seu sonho é ser um engenheiro ambiental continue lendo, estudando para realizar esse seu projeto pessoal, você conseguirá!

Que maravilha sermos de duas cidades desse querido Piauí, embora não conheça Colônia do Piauí posso imaginar como deve ser legal essa cidade, pois embora já resida há vários anos em Teresina, sempre me encanta voltar à minha São Julião.

Como você disse, gosto de cozinhar sim, para mim é um ato de afeto, mas é bondade sua dizer que sou especialista em geleia, imagina! Apenas vou testando as receitas.

Agora falando de futebol, seria demais querer que você não fosse rubro-negro, tá certo somos rivais no campo! Mas só lá e respeito suas escolhas. Sou tricolor de coração, acredita que o meu marido é flamenguista?! (nem tudo é perfeito, brincadeira).

No meu tempo “livre” tenho estudado e adiantado minha pesquisa do mestrado, também tenho visto filmes, séries e ficado mais tempo com a família.

 Sou sim professora e gosto muito do que faço, trabalho numa instituição que atende crianças e jovens com deficiência intelectual e sinto-me gratificada pelas conquistas deles. Busque concretizar seus sonhos, inclusive os profissionais, pois assim a sua jornada será bem mais feliz.

Espero que essa pandemia passe e que a gente tenha a oportunidade de continuar emitindo afeto às pessoas, mas também de forma presencial.

Obrigada pela sua carta, ela tornou meu dia mais especial.

Um abraço,

Júlia (Instagram: @romaniltajulia; E-mail: romanilta@hotmail.com)

#fiqueemcasa

#vaipassar

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Carta a Romanilta Júlia (por Luiz Felipe – estudante do 1º ano de Informática)

Olá Júlia!

Fico muito honrado em ter a chance de lhe escrever essa carta. Como você está nessa quarentena? Está se cuidando? E a suas filhas estão bem? E seu marido? Não esquece de ficar em casa, tabom.

Meu nome é Luiz Felipe, sou do primeiro ano de informática do Colégio Técnico de Floriano (CTF).

Fiquei sabendo que você é de São Julião, eu nunca fui pra São Julião, mas sei que deve ser uma cidade linda. Eu sou de Colônia do Piauí Cidade do Centro-Sul do Piauí, uma cidade pequena mas que eu amo muito.

Você adora cozinhar, hein? E é especialista em geleia. Eu amo geléia, pelo visto nos dois somos carioca so que eu sou Flamenguista, e vc Fluminense somos rivais kkk, mas so no campo. O que você gosta de fazer no seu tempo livre? O meu é estudar e jogar meus game e antes da quarentena começar, era futebol com meus amigos.

Fiquei sabendo que você é professora, eu respeito muito essa profissão e sei que sem essa profissão não existiria as outras.

Meu sonho é ser engenheiro ambiental. E sei que só vou ter essa profissão se eu estudar e respeitar os professores.

Eu espero que essa quarentena acabe logo para eu poder te conhecer melhor por que a doença é grande mas nos somos maiores.

Agora eu tenho que me despedir é espero que você leia essa carta tá bom.

Júlia, bjs, até logo.

Luiz Felipe

#FIQUEEMCASA

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Carta a Misael Almeida (por Samária Andrade – jornalista e professora da UESPI)

Olá, Misael,

Ainda nem nos conhecemos e já fico feliz em receber sua men,sagem. Que tempos diferentes, né? Você deseja que eu esteja me cuidando e daqui, já torço por você também. Sua cidade, Floriano, mesmo sem querer virou um pouco protagonista de discussões e diferentes opiniões nesses tempos difíceis.

O ensino médio é uma fase tão bonita e rica. Espero que você aproveite esse tempo de recolhimento em casa – espero que esteja conseguindo- e possa buscar nos livros e outras leituras as informações de um mundo enorme que certamente espera por você quando tudo isso passar. Leia sobre locais diferentes, estude sobre povos, culturas, mundos diversos, jeitos de viver que a gente nem imagina. Penso que esse seria um bom conselho para esse momento.

Sei que a nossa concentração não anda das melhores. Não se cobre demais quando não se concentrar. Procure se perdoar. Mas, vez ou outra faça um esforcinho pra olhar mais lá pra frente. Isso tudo vai passar. E quando passar, que a gente tenha podido tirar algum proveito que resulte em algo positivo.

Acredite que vai ter um mundo de descobertas esperando por você, tão jovem, vivendo algo que a minha geração, da sua idade, jamais enfrentou. Sejam fortes, sejam alegres. Nós vamos precisar da força e da alegria de viver que você e seus amigos têm.

Que bonito que embarcaram no projeto proposto pelo professor Ribamar. Vocês podem não dimensionar ao certo agora, mas isso certamente traz um bem a vocês. E se toparam e escreveram as mensagens, é porque estão abertos ao mundo e ao novo.

Para terminar, concordo com você: nenhuma tecnologia pode substituir os momentos reais. Quem sabe a gente consegue, num futuro, fazer um encontro de todos nós que estamos escrevendo essas cartas. Eu iria gostar muito. Um abraço em você e em sua família. Confiem no que diz a ciência e se cuidem. Fiquem em casa o máximo possível. Não há remédio milagroso. Mas gestos bonitos como esse, de escreverem cartas, fazem o milagre da alegria em dias atribulados.

Obrigada por me escrever.

Abs ❤️

Samária (Facebook: Samaria Andrade; E-mail: samaria.andrade@hotmail.com)

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Carta a Samaria Andrade (por Misael Almeida – estudante do 2º ano de Informática)

Olá Samaria!

Tudo bem?  Espero que vc esteja bem e esteja  se cuidando , eu estou bem,  em meio a um tempo tão difícil a qual estamos passando ,  que veio pra mostrar que nenhuma tecnologia pode substituir nossos momentos reais e que está mostrando que devemos dar mais valor as coisas simples do nosso dia a dia mais que estão fazendo tanta falta nesse momentos,  e que a gente aproveite esse tempo pra refletir e espero que vc esteja agora com a sua família e aproveitando esse tempo com eles, porque a família e o que a gente tem de mais  importante.

Se cuida, e se possível que a senhora possa ficar em casa, e se sair use máscara tá bem? 

Um abraço!

Ps: Parabéns pelo seu trabalho como jornalista

De: Misael Almeida (Instagram: @misael.s.almeida)

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Carta a Izabella Benvindo (por Sandro Xavier – carioca da gema, vascaíno, revisor e colaborador LPT)

Oi, Izabella,

Senti-me muito mais bem-vindo ao Laços pela Escrita por ser saudado por você, já que é uma “Benvindo”. Além disso, o fato de você saber tantas coisas de mim me deixou com um misto de investigado e de ser a pessoa mais importante do mundo. Preferi escolher a segunda opção… rs… Bem, eu estou tranquilo (ainda mais agora, que um teste que fiz do vírus deu “não reagente”) e minha filha, a Maria Eduarda, segue curiosa, perguntadeira e muito carinhosa. Ela está bem, graças a Deus. Do trabalho, estou tentando vir e manter a proteção. Não é fácil, mas temos que seguir. Eu tenho um carinho grande por esse colégio onde você estudou, especialmente pelo trabalho do meu querido amigo Ribamar e a honra de me oferecer a revisão da revista Cais Cultural, que eu adoro. Fico feliz em saber que você colabora também. Então, eu agradeço por ler tanta coisa legal, da qual você também participa. Quanto ao Vasco, dá saudade. Mas, nesse período, ele não está perdendo nenhum jogo, né?… rs… A igreja tem tentado fazer o melhor por si e pelas pessoas. Tem sido um desafio. Mas Deus não se afasta de nós, não é mesmo? Izabella, eu estou muito grato por suas palavras. Fiquei mesmo surpreso de tanta coisa que você conseguiu saber de mim. Espero, também, que você esteja bem e sua família. Já já a gente volta à igreja. Quero, também, encontrar suas colaborações na Cais mais algumas vezes, tá? Fica bem e receba meu abraço muito agradecido por suas letras.

Beijão.

Sandro Xavier (Facebook: Sandro Xavier; E-mail: revsandro@yahoo.de)

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Carta a Sandro Xavier (por Izabella Benvindo – ex-aluna do Colégio Técnico de Floriano)

Olá, Sandro, como você está? Ficarei feliz em saber que está bem. E sua filha? Espero que também esteja bem. Tá gostando da quarentena? E o trabalho como anda? Período difícil, né? Mas, logo logo, tudo vai passar. Sou ex aluna do Colégio Técnico De Floriano. Achei super incrível você ser Doutor em Linguística e ainda fiquei sabendo que você faz a revisão da revista Cais Cultural, muito obrigada por fazer parte de um projeto tão especial para a maioria dos alunos que participam, inclusive pra mim que gostei tanto que sou colaboradora. Espero que esteja tudo bem aí na capital, aliás, já sabemos que tudo ficará bem. Sua rotina deve ser bem complicada, acho que, nesse momento, a de todos nós, imagino que deve estar com saudade do Vascão em cena, sou corintiana e não vejo a hora de tudo voltar ao normal.  Você deve sentir saudades da Igreja também, eu tô pra não aguentar rsrsrs. O importante é que sabemos que em breve vamos estar todos bem e apenas lembrando dessa história, eu creio nisso, e vc? O que acha disso tudo?

Atenciosamente,

Izabella Benvindo (Instagram: @benvind_iza)

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Carta a Hiuan Pacheco (por Vera Menezes – pesquisadora, professora (aposentada) da UFMG) e coordenadora do projeto Tecnobiografias)

Belo Horizonte, 25 de Maio de 2020

Oi Hiuan (Que nome bonito!),

Amei receber sua carta!

Espero que tudo esteja bem com sua família também. Eu estou bem e isolada com meu marido em Belo Horizonte. Estamos sem ver os três filhos e três netos.

Que bom saber que você, assim como eu, gosta da roça. Ficamos parte do mês em Belo Horizonte e parte em Patrocínio. Lá temos um apartamento na cidade e meu marido aluga uma fazenda que fica bem próxima. Ele passa o dia lá́ e volta à tardinha. Eu vou algumas vezes durante a semana, pois só́ tem um cômodo com um banheiro para nós, tipo um escritório.

Gosto de ver o gado e de brincar com os gatos (Merlin e Dodó) e os cachorros (Gabiru e Chiquinha). Veja uma foto da fazenda e outra do Merlin e da Dodó.

Tenho também uma bezerra de estimação, a Nina. Veja abaixo como ela era quando nasceu e como está um ano depois.

Em Belo Horizonte, temos três gatos. Eles me adotaram. O mais velho é o Thor (preto e branco) e os dois, que você pode ver na janela, são o Zak e o Faustão. O Faustão é o branco e caramelo e se chama assim porque “fala” muito. Meu filho escolheu esse nome porque acha que ele é tão chato quanto o Faustão (risos).

Gosto muito de plantas e de cozinhar. Em Belo Horizonte, temos muitas orquídeas, uma jabuticabeira e uma pimenta do reino. Você conhece a planta da pimenta do reino?

Mas uma coisa que gosto muito é de ler? Você gosta de ler? Que tipo de livro você gosta? Gostaria de te dar um livro de presente. Pode escolher e mando para você. E não se esqueça de mandar o endereço.

Despeço-me, desejando que você e sua família fiquem bem.

Um abraço afetuoso,

Vera Lúcia Menezes de Oliveira e Paiva (Facebook: Vera Menezes; E-mail: vlmop@veramenezes.com)

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Carta a Vera Menezes (por Hiuan Pacheco – estudante do 2º ano de Informática)

Floriano, 25 de Maio de 2020

Olá Vera,

Como está? Espero que esteja bem durante esse período de quarentena, e que você esteja tomando os todos os cuidados necessários para se prevenir da Covid-19.

Eu me chamo Hiuan, e sou um aluno do Colégio Técnico de Floriano (CTF), não nós conhecemos pessoalmente, mas já lhe admirei muito, fiquei sabendo que a senhora trabalha com projetos de pesquisa envolvendo as tecnologias e o ensino de inglês, achei bem interessante o tema dos seus projetos, logo um deles envolve o ensino de inglês, e dificilmente vejo projetos de pesquisa sobre inglês, isso me chamou muita atenção.

Outra informação sobre você, que a senhora gosta de ir pra fazenda/mato e passar 15 dias, pois saiba que a senhora não é a única (risos), eu adoro ir para a roça/mato, largar um pouco celular e ir aproveitar a natureza, andar no mato, cuidar dos animais e/ou das plantas, por mim eu passava todo meu tempo na roça mais minha avó, mas tenho que estudar.

Espero que você esteja bem, um forte abraço, desejo conhecer você um dia.

Hiuan Pacheco (Instagram: @hiuan_costa)

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Carta a Sávio Henric (por Katiuscia Macedo – professora de Língua Portuguesa e estudante do Mestrado em Letras/UFPI)

Teresina, 27 de maio de 2020

Olá Sávio Henric! Tudo bem?

Sua carta chegou até mim em um momento muito propício, pois estava vivendo uma “baixa” na linha do equilíbrio emocional. E como foi reconfortante receber esse carinho!

Sinto mesmo por você não gostar da disciplina de língua portuguesa, apesar de falante português. É um universo muito envolvente e espero um dia poder mudar sua opinião sobre ela.

Sempre que estou triste, ou preocupada, gosto de cozinhar. Acredito ser o alimento um forte propulsor para a felicidade e uma demonstração pessoal de carinho.

Agradeço suas palavras tão afetuosas em relação a minha profissão, que nem sempre é reconhecida.

E você? Como está preenchendo seu tempo nesta quarentena?

Concluo esse texto te desejando muita saúde e esperando passar logo esse momento sombrio.

Um forte abraço,

Katiúscia Macêdo (Instagram: @katiusciamacedo; E-mail: katiuscia.m@hotmail.com)

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Carta a Katiuscia Macedo (por Sávio Henric – estudante do 2º ano de Agropecuária)

Rio Grande do Piauí, 27 de maio de 2020.

Olá Katiuscia, como vai? espero que esteja tudo bem com vc!

Nesses tempos difíceis de pandemia em que estamos passando tudo que precisamos é estar felizes com nossas famílias e eu espero que vc esteja. É uma maravilha estar  escrevendo para uma pessoa que eu nem conheço mas que posso dizer que é maravilhosa, estou sabendo que você é professora de Português, eu confesso que não gosto muito da matéria na escola e não seguiria a area, mas cada um tem sua área que se dá prazer em atuar na mesma, espero que você consiga abrir vários horizontes para as pessoas que vc repassa seu conhecimento, ser professor é uma profissão não muito valorizada nesse país, e eu me questiono como uma profissão que ensina todas as profissões não é tão valorizada, enfim, vc estar exercendo sua profissão é algo maravilhoso que contribui bastante para a educação do nosso país. Também sei que você é natural daqui do Piauí, nosso estado que é cheio de maravilhas né! Que nessa quarentena você se divirta com sua família, cozinhe para eles, coloque uma música e dance, passe o tempo com as pessoas que vc ama, tome os devidos cuidados, use máscara e álcool em gel, lave as mãos com frequência e boa quarentena pra vc.

Um abraço pra você e sua família!

Grato,💖

Sávio Henric (Instagram: @saviohenric)

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Carta a Louise Cardoso (por Ana Elisa Ribeiro – poeta, professora, pesquisadora do CEFET-MG e mãe do Dudu)

Belo Horizonte, 29 de maio de 2020

Querida Louise,

Estamos bem por aqui, embora seja um momento muito estranho, não é? Para as pessoas que gostam do dia, da rua, do Sol, das outras pessoas no burburinho, deve estar sendo uma etapa difícil de passar. Ansiedade, aflição, depressão, desanimo… são palavras que tenho ouvido muito. Mas não me sinto assim por causa da pandemia. As questões políticas de nosso país me afetam mais. Se eu ficasse doente por algum motivo… certamente seria nosso governo, que considero pior do que uma doença. Poderíamos passar por esta experiência ruim da pandemia sem tantos problemas, com mais serenidade, segurança e solidariedade. Estamos com dois grandes problemas… e poderíamos estar com um, que já seria o suficiente. Isso, sim, me deixa ansiosa, desanimada… Mas vai passar e vamos voltar a uma vida menos anormal.

Você me pareceu tranquila e esperançosa em sua carta. É isso mesmo? Imagino que esteja com sua família, em segurança, neste confinamento. Aqui, estamos confinados também. Meu filho está no ensino médio, como você, e gosta de ficar em casa… jogando no videogame. Eu adoro trabalhar no meu escritório, ter tempo para ler e escrever, coisas que, incrivelmente, são roubadas aos professores e às professoras. Meu namorado está aqui conosco há meses e está bem, trabalhando remotamente, lendo nas horas vagas, fazendo umas traduções interessantes, me ajudando a equilibrar o tempo e as ansiedades.

Obrigada pelo belo poema e por acompanhar meu trabalho. Faço tudo com grande paixão. Aproveito então para lhe enviar um poema também, de uma poeta mineira muito boa, a Adriane Garcia, felizmente também minha amiga. Ela é uma poeta combativa, politizada, que escreve com sangue nos olhos e pulsos firmes. Tomara que você goste deste poema, que retirei de um livro chamado Garrafas ao mar:

Para dentro e para cima

Quando escurece

É preciso apagar

Ainda mais as luzes

A necessária coragem

Para habitar o noturno:

As estrelas brilham

É no breu.

Louise, pense em quanta metáfora importante a Adriane desfiou aqui. Vamos brilhar neste breu.

Meu carinho a você e abraços virtuais

Ana Elisa Ribeiro (Instagram: @anadigital; E-mail: anadigital@gmail.com)

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Carta a Ana Elisa Ribeiro (por Louise Cardoso – estudante do 2º ano de Agropecuária)

Querida Ana, como você está? Eu espero que esteja bem. Eu estou bem, caso queira saber. É necessário em tempos tão difíceis como esse que estamos passando, buscarmos sempre o nosso bem estar. Falando nisso, você tem se cuidado? E a sua família? Não esqueça de se cuidar e proteger aqueles que ama, e se possível, fique em casa!!

Por você gostar de poesia, gostaria de deixar aqui um trecho de uma poesia que eu vi recentemente, se chama: “Em tempos difíceis” de Heberto Padilla.

 “À aquele homem lhe pediram seu tempo

para que o juntasse ao tempo da História.

Lhe pediram as mãos,

porque para uma época difícil

nada há melhor que um par de boas mãos.” (…)

As pessoas estão carecendo de um aperto de mão, de um abraço, de um carinho… Mas, infelizmente o momento não permite. Tudo vai ficar bem e essa fase vai passar!! Estou lhe acompanhando pelas redes sociais, parabéns pelos post tão legais e educativos. Até breve, fica bem.

Com carinho, 

Louise (Instagram: @louisercs)

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Carta a Andrêssa Monteiro (por Elaine Forte e Vicente Lima-Neto – professores e pesquisadores da UFERSA)

Andrêssa, escrevemos essa resposta a ti, logo depois termos nos reunido com o grupo de pesquisa para discutir exatamente… Paulo Freire, autor que você termina tua carta! Parece que temos algumas coisas em comum, a começar pelos livros que lemos, não é? Acreditamos que ele nunca esteve tão atual… Acho que Ribamar não te contou, mas eu, Neto, morei um ano e meio aí no Piauí, em Picos. Eu era professor da UESPI de lá. Terra boa e povo maravilhoso. Mantemos amigos até hoje do Piauí e tenho muito orgulho deles! Pois bem, nós saímos de Fortaleza desde 2014, em direção ao Rio Grande do Norte. A experiência tem sido muito exitosa, embora não seja fácil a gente ficar longe de família. Aqui em Mossoró, onde moramos hoje, temos alguns amigos, mas o colo dos pais é o melhor lugar do mundo. Na verdade, como estamos bem próximos de Fortaleza, nossa cidade natal – a mesma distância entre Floriano e Teresina –, hoje temos a oportunidade de irmos e voltarmos sempre que podemos.

Eu, Elaine, não cheguei a morar em Picos, mas passava bastante tempo lá, durante o período em que Neto trabalhou na UESPI. Nesse período tão especial das nossas vidas, eu também puder ter a oportunidade de conhecer pessoas muito especiais, que se tornaram amigas queridas. Cheguei a apresentar palestras e participar de bancas de defesas de TCC na UESPI, em Picos, e de participar de uma especialização em na UESPI em Oeiras. Além, é claro, de sempre ser convidada para as confraternizações, das quais eu fazia questão de participar. Guardo com carinho todos esses momentos que nós compartilhamos com pessoas tão especiais no querido Piauí. Para nosso carinho por esse encantador estado ser ainda maior, recebemos você em forma de presente para acalentar esse momento tão caótico que estamos passando. Você é a personificação da sensibilidade do afetuoso povo piauiense.

Respondendo a tua pergunta sobre as diferenças que sentimos nessa mudança, foi uma coisa engraçada o que aconteceu no início: veja só, saímos de uma cidade de 2,6 milhões de habitantes, que é Fortaleza, uma das maiores do país, e nos mudamos para uma cidade de 20.000 habitantes, que é Caraúbas, onde fica o campus da UFERSA. Consegue imaginar a diferença, né? É uma cidade três vezes menor que Floriano! Então foi uma mudança muito brusca, mas muito bacana, pois a gente se redescobriu e se adaptou bem a essa nova realidade. A cidade, até hoje, nem semáforo tem. É bem tranquila, todo mundo se conhece. Depois dá uma olhada no Google Maps, para você conhecer. O povo é muito, muito acolhedor, tanto quanto o povo piauiense, então, embora longe da família, sempre nos sentimos amparados pelas pessoas da cidade. Como chegamos no iniciozinho da implantação da universidade, todos os professores chegaram mais ou menos ao mesmo tempo, pessoas de muitos estados diferentes, como PE, PB, BA… Todos estavam vivendo experiências semelhantes. Fomos muito felizes lá em Caraúbas, onde vivemos por três anos e meio. Depois, nos mudamos para Mossoró, uma cidade mais desenvolvida, onde moramos desde 2017.

Nessa quarentena, temos nos virado para dar conta dessa nova realidade: continuamos trabalhando muito, agora de forma remota, estudando, participando de atividades na graduação e no mestrado, fazendo lives acadêmicas com amigos queridos de outros estados etc. Nesse quesito, o que mudou foi apenas o fato de não irmos para a universidade, porque trabalho não nos tem faltado.

Como gostamos de culinárias diferentes, esse tempo tem sido bom também para cozinharmos juntos pratos cujas receitas a gente pega na internet. Uns dão certo, outros não, rsrs, mas temos nos divertido. Temos sentido falta de muita coisa: de fazer exercícios, de ir para a universidade, de estar em sala de aula com nossos alunos, de abraçar nossos amigos e familiares, de viajar, de ter liberdade, mas sabemos que é apenas uma questão de tempo para que possamos fazer isso em breve e com segurança. Tem sido muito, muito triste ver tudo o que está acontecendo no país e no mundo. Tanta gente precisando de um abraço apertado, em tempos tão sombrios. Mas tua carta é um arco-íris depois da tempestade.

Andrêssa, aproveita esse tempo no CTF, porque sei que vais sentir saudades, como nós sentimos do tempo que estivemos no Ensino Médio. O tempo passa muito rápido, a gente nem se dá conta. E estuda muito, pois a gente só consegue transformar nossa vida, a dos nossos e o mundo em que vivemos pela educação. Não conhecemos você pessoalmente, mas adoraríamos ter esse prazer após essa pandemia. Fica bem e escreva sempre que quiser e puder!

Mossoró, maio de 2020.

Elaine (Instagram: @elainefortefer) e Neto (Instagram: @vlimaneto; E-mail: vicente.neto@ufersa.edu.br)

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Carta ao casal Elaine Forte e Vicente Lima-Neto (por Andrêssa Monteiro – estudante do 1º ano de Informática)

Escrevo essa presente carta com o objetivo de repassar em meio a pandemia vivida, o carinho expresso por meios de palavras, algo que em tempos modernos se tornou escasso, com a globalização e o uso quase que por inteiro em redes sociais. Estou muito contente em conhecer a história de vocês, a qual pude ver que são dois cearenses arretados, e que a 5 anos uniram-se por meio de um SIM.

Vicente, agradece em sua rede social ao universo a oportunidade de ama-la, ele amante das corujas a qual simboliza a sabedoria antiga, maturidade e força de caráter e que os guia na exploração das incógnitas da vida, além de ter escolhido a profissão que como ele diz: o caminho da mudança é a educação.

Vicente, senti uma grande empatia a me aprofundar na sua vida, visto que defendemos e lutamos pelas mesmas idéias.

Falando um pouco mais sobre me,eu hoje com 15 anos tive que sair da minha cidade natal para ir em busca dos meus objetivos,os quais são muitos, assim como vocês ,que também foram em busca dos seus objetivos na tão sonhada UFERSA. Nesse contexto qual foi a experiência vivida?

Elaine pude observar que você é alguém muito delicada e que principalmente, anda sempre com um sorriso no rosto. Você que é professora de linguística, que a missão que é muito além de ensinar… Para você quais estão sendo os pontos positivos e negativos vivenciados nessa quarentena?

Soube que gostam muito de fazer exercícios e também de sair, coisas importantes para nossa vida. Vocês que são apreciadores de novos lugares e culinárias diferentes. Qual foi a experiência ao mudar para o Rio Grande Do Norte, e quais as diferenças em se adaptar após sair do Ceará? Espero que ambos usem a criatividade e que a quarentena sirva para que vocês tenham mais tempos juntos e que possam trocar mais valores em união. Eu sou Andrêssa Monteiro, aluna do 1° ano do ensino médio, da escola CTF e foi um prazer conhecer a história de vocês. Para finalizar deixo essa frase de Paulo Freire a qual se encaixa a rotina e vida de vocês “não se pode falar da educação sem amor “.

Andrêssa Monteiro (Instagram: @dessa_marques08)

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Carta a Wylaine França (por Carlos Alberto Faraco – linguista e professor titular (aposentado) da UFPR)

Prezada Wylaine,

Muito obrigado por sua carta. Fiquei muito honrado em recebê-la. E parabenizo você pelos temas que escolheu para suas questões, apresentadas de maneira clara, objetiva e fluente.

Agradeço também seus cumprimentos pelos meus 70 anos. Ufa, sete décadas! Acho que bem vividas. Vividas, em todo caso, intensamente seja nos estudos, na docência e em outras atividades. Imagine você que fui reitor da Universidade Federal do Paraná na década de 1990 uma experiência inesquecível, muito forte, muito desafiadora, mas também muito compensadora.

Você diz que sou o maior linguista da atualidade no Brasil. Não sou, com toda certeza. Há muitos outros na minha frente, colegas linguistas com um trabalho excepcional a que muito devemos e com quem muito aprendemos. Mas fiquei, sim, muito conhecido nacionalmente, tanto pelos meus trabalhos, quanto pelo meu envolvimento em polêmicas públicas sobre questões da língua. Acho que é um dever nosso como linguistas nos envolver nessas polêmicas e debates. Claro, a língua não pertence aos linguistas, mas qualquer debate sobre ela sem os linguistas será um debate de pé quebrado. Temos um saber, construído nas nossas práticas científicas, que é indispensável e incontornável em qualquer desses debates.

Também não acho que seja o porta-voz da linguística brasileira. Sou, sim, um dos porta-vozes, justamente por nunca fugir dos debates e polêmicas públicas sobre questões da língua.

Por outro lado, sou professor de Português há 51 anos. Atuei em todos os níveis de ensino e sempre procurei, nesse trabalho, estimular os alunos para a leitura e a escrita. Isso porque, já no ensino fundamental (no meu tempo, o Fundamental II era chamado de Ginásio), eu me tornei um leitor voraz depois que me caíram às mãos os livros de Júlio Verne e Karl May. E, na mesma época, despertei o gosto pelo escrever. Graças aos professores de Português que tive. Assim, por vivenciar a importância e o prazer do ler e do escrever é que sempre quis motivar meus alunos para essas atividades. Fui aprimorando, durante meus anos de docência, as formas de fazer isso. Mas era uma meta minha já nas primeiras aulas que dei em 1969. Aos resistentes, dizia sempre: “Pelo menos experimente. Não invente desculpa antes de experimentar”.

Por fim, gostaria de dizer que a tecnologia é um ganho para todos nós. Temos acesso a acervos quase infinitos de textos, de vídeos, de filmes, de aulas como nunca antes. E mais: podemos usar a tecnologia para divulgar o que fazemos, para atividades de ensino e, como agora estamos vivenciando neste tempo de pandemia e quarentena, a possibilidade de conversar, estudar, trabalhar com pessoas que estão há milhares de distância de nós.

Mais uma vez, muito obrigado pela sua carta. Desejo que você colha bons frutos na sua caminhada. E, claro, cuide-se muito neste momento de pandemia. Vai passar, mas precisamos ser cautelosos, tendo cuidados individuais e coletivos.

Um cordial abraço.

Carlos Alberto Faraco (Instagram: @carlos_faraco; E-mail: carlosfaraco62@gmail.com)

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Carta a Carlos Alberto Faraco (por Wylaine França – estudante do 2º ano de Agropecuária)

Floriano, 22 de maio de 2020

Olá, Carlos Alberto Faraco…

Tudo bem? Espero que sim, principalmente nestes tempos difíceis que estamos enfrentando uma pandemia, e que infelizmente já levou muitas vidas! Desde já, quero lhe parabenizar pelos seus 70 anos, anos esses de muitas conquistas e dedicações. Desejo uma vida longa!

Quando vi pra quem iria escrever, fiquei sem reação. “ok, como vou escrever para o maior linguista da atualidade? Não sei, mas vou.                    

Uma pessoa muito bem vivida, graduado em Letras- Português/Inglês pela PUCPR, mestrado em Linguística pela Unicamp, doutorado em Linguística pela University of Salford e que também fez pós-doutorado em Linguística na University of California (desculpa se esqueci algo, com certeza esqueci). Gostaria muito de saber se você sempre se identificou com essa aréa de ensino de língua, da prática de produções de textos, leituras ou você veio tomando gosto pela área de acordo com os aprendizados dentro da escola? E pra você como é ser o “porta-voz” da linguística brasileira?              

Conversei alguns dias atrás com “minha” professora de português e ela me fez um questionamento  muitooo interessante: “Já parou pra pensar que pra quase tudo na vida a gente precisa FAZER para TER” e me veio uma situação que sempre vejo muitas pessoas falarem “eu não gosto de ler, minha cabeça dói”… Você acha que isso tá relacionado com o fato de quererem pular a etapa de FAZER, já querendo TER? Porque sabemos que a leitura não é algo simples e fácil, requer práticas até que se torne algo habitual no nosso cotidiano não é mesmo?

Não poderia deixar de questionar também sobre o seu pensar em um assunto muito comentado hoje em dia, as Tecnologias digitais. Li algum tempo atrás um cap de um livro que falava sobre letramentos digitais e isso é algo real, que veio evoluindo bastante nesse século. E ao meu ver é uma tecnologia que veio pra somar, o que acontece é que muitas pessoas tem um pensamento muito vago sobre a tecnologia e se firmam com a “Tecnologia oferecida apenas pela Internet” sendo que existem várias tipos de tecnologias, e esquecem do gostinho de pegar uma caneta e escrever um texto, abrir um livro e sentir as páginas, a emoção, enfim. O que você pensa sobre isso? 

Muito obrigada pela atenção… Um prazer imenso em lhe escrever. Fique bem e previna-se! #tudovaipassar 

Wylaine França (Instagram: @wylay_franca)

P.S: espero que eu tenho me expressado bem!

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Carta a Ronyeri Cristian (por Carla Coscarelli – pesquisadora, professora da UFMG e coordenadora do projeto Redigir)

Caro Ronyeri,

Escrevo essa mensagem ouvindo Elis & Tom, duas grandes estrelas da nossa música brasileira tão cheia dos mais incriveis talentos.

Sua mensagem chegou em uma ótima hora e fico feliz de você ter falado do meu gosto pela música. Te confesso que a música é uma grande amiga, o violão, um companheiro como poucos. Tocar e cantar são grandes prazeres, apesar de serem sempre tão exigentes comigo.

Fico feliz de saber que você também se apoia na música e escuta nossos “clássicos” e, certamente, muitos outros estilos, cantores, bandas e compositores. Não tenho preconceito, acho que cada estilo tem sua hora e seus grandes artistas.

Sinto falta das aulas, dos encontros, dos abraços e dos amigos, mas confesso que minha rotina não mudou muito. Trabalho muito em casa, lendo e escrevendo e dando aulas online. Às vezes até parece que está tudo normal, mas tem um sininho lembrando da tensão e um coração apertado com a tristeza de tantas famílias por esse mundo a fora.

Também tenho feito “lives”, que prefiro chamar de prosas, e conversado frequentemente com meus amigos e colegas. Isso sempre me conforta e me anima. É bom também  ter um pouco mais de tempo para cuidar da minha família e da nossa casa, embora as tarefas domésticas (que não acabam nunca!) somadas ao trabalho me cansem muito.

Estou bem e minha família também. Espero que você e sua família estejam e continuem bem. Adoraria me encontrar com você para tocarmos juntos.

Te agradeço imensamente pelo seu carinho e pela sua mensagem tão linda nesse momento tão delicado pelo qual temos passado.

Um grande, forte e longo abraço para você e para o Ribamar, que me proporcionou essa emoção tão boa.

Com todo carinho do mundo,

Carla Coscarelli (Instagram: @carlavcosc; E-mail: cvcosc@gmail.com)

PS: mando um áudio caseiro, gravado em celular mesmo, para você.

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Carta a Carla Coscarelli (por Ronyeri Cristian – estudante do 2º ano de Informática)

Para: Carla Coscarelli

Olá professora Carla! Pelo que sei a seu respeito você gosta de cantar e tocar violão, eu amo fazer isso também, isso me ajuda a ficar calmo e relaxado, e se manter calmo num momento como esse não é tão fácil, a falta de poder trabalhar, viajar ou sair não é bom, mas é preciso se manter forte e seguir as recomendações de manter o isolamento até que isso tudo passe e as coisas voltem ao normal, também sei que a senhora é professora e essa é uma bela profissão e acredito que se manter longe da sala de aula não deve ser fácil né, bom, minha rotina depois da quarentena é ler um livro, jogar algum joguinho no celular e assistir séries e á proposito, como é a sua?, também gostaria de saber, como a senhora está, tá tudo bem com você e com  seus filhos? Espero que sim. Como eu sei que a senhora  curte tocar e cantar eu deixo uma recomendação de uma linda musica: Águas de março da Elis Regina & Tom Jobim, um abraço e fica bem.

Com carinho, 

Ronyeri (Instagram: @ronny_cristtian)

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Carta a João Marcos (por Denise Tamaê, servidora pública, doutora em linguística e co-fundadora do LPT)

Oi, Marcos, bom dia. Fico muito feliz com a possibilidade de lhe conhecer e agradecida pelas suas palavras, em relação ao meu trabalho e sobre como realizo minhas escolhas. Percebo que as suas escolhas também tem sido boas. Só o fato de você ter se interessado por um curso técnico e de ter disposição para ir um pouco além do convencional, trabalhando no LPT já me dizem que você tem garra, determinação, vontade de crescer e que busca o autoamor. Poucos são os rapazes da sua idade que possuem esse desejo de trabalhar em benefício do próprio futuro. Ser preto não e fácil. Sei disso, mas gostaria de saber que para ninguém é. Ser branco, homem, hétero e de classe alta pode induzir alguém à facilidades que facilmente corromperiam a alma dos menos avisados. Então, lhe digo, de coração, que não ser dominante tem vantagens. Uma delas, é poder se expressar livremente (sem máscaras) e buscar a companhia daqueles que mais lhe agradam, e não somente daqueles que a máscara impõe. Aliás, isso é muito chato, ter de conviver com pessoas dentro do politicamente correto somente por obrigação. Podemos conversar sobre muitas coisas… Uma delas é que gosto de aprender sempre. Ficaria feliz caso você possa me ensinar mais sobre o que você faz. De minha parte, compartilho com você alguns aprendizados da vida: 1. seja grato e tenha fé. Isso lhe permite passar pelos problemas com a certeza da vitória. 2. Dê algo de si, em benefício do outro. O bem retorna de formas inusitadas e, pode crer, sempre vem com acréscimos. 3. Antes de fazer algo ruim, peça conselhos a alguém que, certamente, lhe dirá “não faça”, porque melhor do que dar vazão ao mal é a alegria íntima de não tê-lo feito. Por fim, 4. Seja amoroso consigo mesmo. Valorize e se encante pelo que você já é. Se o amor ou o reconhecimento lhe exigir condições não será verdadeiro e não valerá a pena. Bem, como disse, podemos ter muitos assuntos. Espero que tenhamos novas oportunidades de conversar. Já sabemos como fazer. Então, que venham dias de muito amor.

Abraços.

Denise Tamaê (Instagram: @denise_tamae; E-mail: denisetamae@gmail.com)

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Carta a Denise Tamaê (por João Marcos – estudante do 2º ano de Agropecuária)

Itaueira/PI, 21 de maio de 2020.

Querida Denise, estou muito feliz em poder está escrevendo essa carta para você. E como está vc?  Está se cuidando nessa quarentena? Não se preocupe, tudo isso vai passar, é só questão de tempo. Como anda seus filhos? Quais são os nomes deles? Achei bastante legal saber que vc é do candomblé, uma religião muito linda, afro-brasileira, e que eu admiro muito. Você é doutora em linguística, como funciona? Eu estou fazendo o curso técnico em agropecuária no Colégio Técnico de Floriano/ UFPI, sou da cidade de Itaueira-PI, e moro na RE (Residencia Estudantil). Sou preto, com muito orgulho. Fico bastante feliz em saber que você adora cozinha, o meu sonho desde criança é ser confeiteiro profissional, além de médico veterinário ou zootecnista. Assistir uma entrevista que você fez para a TV Radiotec, e descobrir que você também ajudou a criar o LPT, o melhor lugar da escola, com um ambiente bastante acolhedor, e com uma coleção de livros maravilhosa, com os mais variados. Então é isso, adorei saber um pouco de sua história. E o que me deixa mais feliz é saber que no mundo que hoje vivemos, ainda existem pessoas maravilhosas que podemos nos espelhar. Você é uma inspiração. E não se esqueça #tudovaificarbem❤️

Atenciosamente💜

João Marcos (Instagram: @jmarcus_real)